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Sexta-feira, Junho 30, 2006

 
AT THE DEPT. OF FORGOTTEN SONGS



Wire, Pink Flag, 1977

 
UNS MAIS DO QUE OUTROS

Wong Kar Wai, o tal que fez o filme passado nos anos 60 e que o outro pensava que tinha sido ontem, fez também este filme para uma música do outro que nos faz pensar que já ouvimos tudo.

Terça-feira, Junho 27, 2006

 
TEASER



Speaking In Code, stories from the new electronic underground.

 
Vem atrasado, mas a propósito: obrigado, meninas.

Sábado, Junho 24, 2006

 
SKETCH FOR SUMMER



 

YOU ARE NOW GOING TO SEAT IN SPACE

Longe, temos de aprender outra vez um sem número de coisas. Começar de novo como se nunca tivéssemos começado. A sensação de estranheza, previsível, entranha-se, e mal damos por isso. Depois, é-se alheio a tudo. Ou quase.
Nos aeroportos acontecem estas primeiras metamorfoses, uma espécie de antecedência do estado primário a que voltamos quando aterrarmos.
A música dá-nos conta disso, mesmo se ela existe para não exisitir. Para se esconder.


 
IT'S OFFICIALLY SUMMER

No mesmo comprimento de onda, o Francisco recorda Durutti Column e leva-nos até uma gravação de um concerto de 1988. Onde está isto.

Sexta-feira, Junho 23, 2006

 
REMÉDIO


Quinta-feira, Junho 22, 2006

 
O FIM DO HORIZONTE

Desilusão com Macau

É claro que o defeito é meu, mas tive a maior dificuldade em adaptar-me a Macau. O fascínio oriental, a sensualidade dos lugares e dos gestos, essa atmosfera de In The Mood for Love está longe de corresponder à realidade que encontrei. Que é que fui descobrir? Milhares de chineses que invadiam o hotel em hordas ruidosas, e havia excesso de gente em todo o lado. Aqui nada de novo: o número excessivo lá estava, minando a tranquilidade de cada lugar. Com excepções. Fui amavelmente convidado para um lindíssimo restaurante tailandês onde tudo murmurava serenidade e havia a presença surda das ondas do mar em pano de fundo sonoro. Ali reinava a calma, a tranquilidade, uma espécie de harmonia, que faltava em tantos lugares de Macau que fui vendo todos os dias.
Há aqui uma questão de escala. A arquitectura é quase sempre esmagadora e sentimos o pouco que somos andando pelas ruas - bicho da terra vil e tão pequeno. Depois, há os casinos, porta sim, porta não. Procuram ser deslumbrantes e são a apoteose do kitsch na sua dimensão mais obscena. Ora o kitsch é a manifestação do mal, como sublinhou Broch e como vimos comentado num livro magnífico recente de Filomena Molder: O Absoluto Que Pertence à Terra (Vendaval). E uma sociedade dominada pelo jogo e a prostituição não é certamente o território do bem. Podemos ver ruínas romanas ao lado de uma montanha que parece de papelão a anteceder uma incrível reconstituição que se assemelha a Portugal dos Pequenitos. Um pavor, um pesadelo de lama visual.
Os chineses de Macau não falam nem entendem o português. Tantos anos de presença e o resultado é este: tirando aqueles que estudam português, os outros não percebem uma palavra da nossa língua. É verdade que também não falam inglês. Porque turisticamente não parecem ter necessidade. Mesmo no hotel, regressamos a uma linguagem gestual que está na origem dos piores mal-entendidos.
Isto não pode fazer esquecer o esforço generoso daqueles que ensinam aqui o português. Mas é pouco.
Há também as pessoas: as vozes são esganiçadas e contundentes, criando uma atmosfera de permanente agressão. As mulheres parecem tábuas de engomar com aquele andar de patas-chocas que define a gravidez avançada. Apesar de mini-saias frequentes, não há nelas (e também não há neles) a menor sensualidade. Há sociedades, como a italiana, em que a libido se desencadeia em todos os lugares, da paisagem às pessoas. Aqui, é o contrário. Tudo isto funciona mecanizadamente e por vezes de uma forma bruta e desagradável. E, por fim, aquilo que é o encantamento parisiense (ruas com belíssimos cafés com espelhos e madeiras) não existe por estas bandas. Andamos avenidas intermináveis e não há um só lugar que nos permita ver passar as pessoas e olhar as nuvens que se acumulam.
O calor e sobretudo a humidade criam um sentimento de opressão que pode ser insuportável. Sentimos a desolação de sociedades assim, onde a doçura de viver ou o ideal do socialismo se deixaram contaminar pelo lucro desmedido e a incomunicabilidade generalizada.

Eduardo Prado Coelho

Na blogosfera, desancar em Eduardo Prado Coelho já há muito deixou de ser uma micro-causa, e mesmo nos jornais, até naquele onde quase todos os dias somos presenteados com as crónicas do senhor, já se deu conta do desgaste e erosão que o tempo revelou nesses textos. Conceda-se que num percurso tão longo é natural sucederem-se altos e baixos. Mas o que me traz aqui não é um desses momentos, alto ou baixo.
Aquilo que se reproduz ali atrás, na falta de melhor, é simplesmente vil, até para usar uma palavra que EPC diz que somos.
Que tipo de pessoa vem a Macau e fica desiludida por não encontrar Paris? Alguém que cristalizou no etnocentrismo e no provincianismo. Alguém que vê no fio do horizonte não mais do que o fim do horizonte.
É difícil acreditar que EPC nunca tenha ouvido falar em idiossincrasias, em traços e identidades culturais. Mas como explicar que descreva esta terra, o povo e o seu linguajar da forma como o faz? Sobre o que escreveu acerca da sensualidade nem falo, para não ser deselegante como o senhor.
Mas difícil mesmo é acreditar que EPC esteve em Macau. Ou então não se deu ao trabalho de conhecer o território, de procurar saber. No entanto, fala dele com o atrevimento de um familiar.
O pior é que quem vive em Macau já se habituou a estes discusros de quem se põe a olhar para o Oriente a partir do Marquês do Pombal. Discorrem longamente sobre o que desconhecem e são assertivos como só os ignorantes. São arrogantes e superiores. Ditam e ditam. Saem do sítio e é como se não saíssem, num movimento que devia ser invisível e infelizmente não é.
“É claro que o defeito é meu”, começa por dizer EPC. É claro. Talvez EPC veja muitos filmes, e por isso lá terá sempre Paris, como se diz no outro. Mas o mundo vai mais além. É mais do que isso. Alguns é que não chegam lá.


Segunda-feira, Junho 19, 2006

 
CRENTE OCULTO

Acreditar como método. Não fechar os olhos como quem se entrega desalmadamente. Ver e ouvir tanto quanto os sentidos consentirem. Esperar pacientemente pela fracção em que tudo se altera. Esquecer que é só uma fracção. Multiplicar.

Domingo, Junho 18, 2006

 
MANDAMENTOS

Fitter, happier
more productive
comfortable
not drinking too much
regular exercise at the gym (3 days a week)
getting on better with your associate employee contemporaries
at ease
eating well (no more microwave dinners and saturated fats)
a patient better driver
a safer car (baby smiling in back seat)
sleeping well (no bad dreams)
no paranoia
careful to all animals (never washing spiders down the plughole)
keep in contact with old friends (enjoy a drink now and then)
will frequently check credit at (moral) bank (hole in wall)
favours for favours
fond but not in love
charity standing orders
on sundays ring road supermarket
(no killing moths or putting boiling water on the ants)
car wash (also on sundays)
no longer afraid of the dark
or midday shadows
nothing so ridiculously teenage and desperate
nothing so childish
at a better pace
slower and more calculated
no chance of escape
now self-employed
concerned (but powerless)
an empowered and informed member of society (pragmatism not idealism)
will not cry in public
less chance of illness
tires that grip in the wet (shot of baby strapped in back seat)
a good memory
still cries at a good film
still kisses with saliva
no longer empty and frantic
like a cat
tied to a stick
that's driven into
frozen winter shit (the ability to laugh at weakness)
calm
fitter, healthier and more productive
a pig
in a cage
on antibiotics

Thom Yorke

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