FÉA propósito da canção "Love calls you by your name", cuja belíssima letra
reproduzi, o
Francisco escreveu este comentário, que deve ser resgatado ao obscurantismo de uma "janela pop-up".
Este tema do Cohen tem, para mim, um enorme significado e carga simbólica.
Na última edição do lendário programa de rádio "Em Órbita", passaram-se 2 horas só com música clássica (algo fúnebre) e um único tema de música popular contemporânea. Este.
Eu era um adolescente absolutamente fascinado pelo "Em Órbita". Ouvi o último, sózinho, sentado na cama do meu quarto, mais uma vez órfão. Quando, no meio daquele peso enorme que os sons escolhidos estavam a criar, subiu a voz do Cohen " You thought that it could never happen ...", acho que entrei num pranto incontido. Depois veio a voz do Cândido Mota ler um texto mais ou menos assim " Só pode haver ressurreições depois de mortes ambiciosas ...". Não sei se isto está gravado, mas foi dos momentos mais belos da Rádio em Portugal. Aprendi, num pequeno momento de rádio, o verdadeiro significado da esperança. Algo de inabdicável a que se deve chamar fé.
Miss Tapes
#22
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Mistura de Fennesz - Rivers of sand
com Angelo Badalamenti - Llorando
.Shriekback - Only thing that shines
.Shawn Phillips - All our love
.Leonard Cohen - Love calls you by your name
.Smog - All your women things
.Langley Schools Music Project - The long and winding road
.Nick Drake - Northern sky
.The Smiths - Well I wonder
.Red House Painters - Katy song
.Explosions in the Sky - So long, lonesome
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Miss Tapes
#21
.The Alan Parsons Project - Nucleus
.A Mountain of One - Wonping of the clock
.Map of Africa - Freaky ways (instrumental)
.The Cure - Another day
.The KLF - Pulling out of Ricardo and the Du
.Edgar Froese - Kamikaze 1989
.Sally Shapiro - Sleep in my arms
.Vangelis - Tears in rain
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tema desconhecido.Orchestral Manouvers in the Dark - Statues
.Shriekback - Exquisite
.Chris and Cosey - Lament
.The KLF - Trancentral lost in my mind
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Miss Tapes
#20
.Tom Waits - Somewhere
.Alpha - Somewhere, not here
.Tindersticks - Cherry blossoms
.Tom Waits - Blue Valentines
.Richard Hawley - Love of my life
.The Smiths - Please let me get what I want (live)
.Explosions in the Sky - So long, lonesome
.Grizzly Bear - The Knife
.Smog - Let’s move to the country
.Tindersticks - Sweet memory
.Luna - Jealous guy
.The Beach Boys - Unrealeased backgrounds (extracto)
.This Mortal Coil - Strength of strings
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Miss Tapes
#19
.Tim Hecker - Harmony in blue III
.The Postal Service - Against all odds (extracto)
.Stuart A. Staples - Friday night
.The Album Leaf - Broken arrow
.Fairly Tall Tales - Intonamori
.Sigur Rós - Refur
.Virginia Astley - Summer of their dreams
.The Durutti Column - Belgian friends
.Cornelius - Sensuous
.Dead Can Dance - Don’t fade away
.Animal Collective - Banshee beat
.Carrie - Honey blue star
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Miss Tapes#18
.Rebecca Pan - Bengawan solo
.Tim Hecker - Songs of the highwire shrimpe (extracto)
.Ferrante & Teicher - Mermaid waltz
.Goldfrapp - Number one (Múm Remix)
.Harmonic 33 - Departure lounge
.De-Phazz - Radio sol
.Connie Francis - Siboney
.Niobe - In the sun
.Gianni Marchetti - Chukeba bay
.Henry Mancini - Lujon
.Koop - Beyond the sun
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tema desconhecido retirado da compilação Moonshadows Part 4,
de DJ Harvey
.Tim Hecker - Songs of the highwire shrimpe (extracto)
.Lee Hazlewood - For one moment
Para
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A DAMA DE XANGAI
O concerto de Rebecca Pan e da sua Big Band é só no dia 10 de Março, no entanto, no Centro Cultural de Macau explicam-nos que quando se trata de "grandes estrelas" antecipam-se as conferências de imprensa. Mas não há pressas. À hora marcada ainda não há sinais da Dama de Xangai. "Miss Rebecca está um bocado atrasada. Está a arranjar-se..."
Quando finalmente surge diante dos jornalistas, rodeada pelo "staff", Rebecca Pan concentra as atenções e faz jus ao título "Dama de Xangai". Traja um impecável "cheongsam" (vestido tradicional chinês com que se apresenta nas actuações) e por momentos (que hão-de reaparecer ao longo da entrevista) esquecemo-nos que Rebecca Pan nasceu na década de 1930.
Será mesmo a própria a lembrar-nos que não é nenhuma novata, mas também é ela que nos diz "não vivo no passado". E não se pense que existe aqui uma contradição.
A história de Rebecca Pan (e espaço houvesse para a contar) é a história de uma mulher que, por estar à frente, construiu o seu próprio tempo. Foi assim no início e é assim agora, quando confessa que "mesmo não gostando do que é moda actualmente, quero estar na moda, quero estar presente."
No início, então. "Xangai era uma cidade onde tudo podia acontecer. As pessoas tinham uma mente aberta." Este ambiente, diz, deixou de a rodear quando se mudou para Hong Kong, em 1949. No território vizinho as pessoas "têm a mente mais estreita". Rebecca estudou no estrangeiro, e foi fora da China que encontrou as bases que a ajudaram a lançar a carreira em 1957.
Começou por ser vocalista numa banda, mas decidiu-se por uma carreira a solo pouco tempo depois como cantora num cabaré. Rezam as crónicas da altura que Rebecca Pan foi uma sensação que arrasou Hong Kong, com a sua característica mistura de canções e estilos. Cantava em chinês, inglês, japonês, francês e espanhol. "Ao longo de 50 anos de carreira construí a minha marca e a minha assinatura. É difícil copiar-me", diz, sem um pingo de arrogância.
Em breve, Hong Kong seria demasiado pequeno para o talento de Rebecca. Antes de partir numa digressão mundial, em 1962 tornou-se na primeira artista a ter um clube de fãs no território administrado pelos ingleses.
A digressão mundial levou-a também a Portugal. Quando soube que entre os jornalistas havia um português pediu que lhe levassem o álbum de memórias. Entre as fotografias estava uma que mostrava dois recortes de jornais portugueses anunciando os espectáculos de Pan Wan Ching, "A maior vedeta internacional chinesa", no Casino Estoril e no Hotel Embaixador. Foi em 1964. "Adorei o país e os espectáculos. Adorava cantar em português, mas não sei a língua. Não gosto de cantar apenas para agradar. Tenho que saber o que a letra quer dizer, tenho que sentir." Diz ainda que há uma artista de que gosta muito, Sónia Rosa. Canta em português, mas é brasileira.
"Always in the mood"
Voltando um pouco atrás. Com 18 anos, Rebecca Pan gravou um tema, "Bengawan Solo", que viria a tornar-se, em 2000, num êxito. "Bengawan Solo" é a versão inglesa de uma música tradicional indonésia, e o reconhecimento em 2000 deve-se à banda sonora do filme "In the Mood for Love", do realizador de Hong Kong, Wong Kar-Wai.
Rebecca faz parte do elenco do filme, tal como já fizera parte de "Days of Being Wild", o filme de Wong Kar-Wai realizado em 1991. Pelos dois filmes Rebecca recebeu nomeações para melhor actriz secundária nos Hong Kong Film Awards, tendo ganho o prémio pela participação no primeiro. Ao todo, a filmografia de Rebecca conta cinco filmes, sendo que o primeiro foi em 1988 ("The Greatest Lover") e o último em 2002 ("Chinese Odyssey 2002"). "[Wong Kar-Wai] Precisava de uma cantora de Xangai. E eu encaixava no papel..."
Nas notas do libreto que acompanha a banda sonora de "In the Mood for Love", Wong Kar-Wai escreve que a colaboração com Rebecca é anterior à rodagem de "Days of Being Wild", e revela que foi a artista, "uma conhecedora profunda da música ocidental", quem lhe deu a conhecer a música de Xavier Cugat, o músico hispano-cubano, que o realizador haveria de utilizar profusamente em "Days of Being Wild".
A ambiência dos filmes de Wong Kar-Wai parece, na verdade, talhada para o ambiente das canções do universo de Rebecca Pan. São outros tempos, outros códigos, que evocam conceitos como "glamour" ou romantismo. E saudade? "Hoje tudo é diferente, mas eu consigo acompanhar os tempos. Não tenho problema. Não vivo no passado. De vez em quando até vou a discotecas... Hoje tudo tem que estar na moda, e eu também quero, mesmo que não goste de estar na moda. Não interessa se gosto ou não. Tenho que viver. Percebe o que quero dizer?"
in
Ponto Final